.: PERFIL :.

..:Ana Paula Braga Salamon:..
04/09/1985
Balneário Camboriú - SC Cascavel - PR
ana_paulabraga@yahoo.com.br


.:Blog de Amigos :.

Mino Carta
Merda Política Brasil
Remédio
Sol
Adeline
Planeta Et
Fleury
Juju
Tigo
Kbelo
Dila
Micha
Carolina
Resi
Outro Ângulo
AnaLoka
Mirabilis
Lady J. fot






.: Arquivos :.

.: Créditos :.

Dream Melody Layouts
Template by Dewi
Brushes: Police Man

[Sexta-feira, Março 16, 2007]

"Na infância, vive-se a medida natural. Depois, o desequilíbrio: ou sobra ou falta amor"

Enviado por Sra. Amnesia * 10:45 AMComments:

[Quarta-feira, Dezembro 20, 2006]

Já que você chegou até aqui, aproveite e vá para meu novo blog www.anasegundo.wordpress.com

Lá você encontrará um novo conteúdo, uma nova cara.

Ainda estou terminando de arrumá-lo: perfil, lingua, blogs amigos...

Também vou passar o arquivo deste meu primeiro blog para lá.

Então faça assim, acesse www.anasegundo.wordpress.com, sou eu revisitada.

É um novo caleidoscópio.

Enviado por Sra. Amnesia * 2:45 PMComments:

[Segunda-feira, Dezembro 11, 2006]

Pensando bem, a gente sempre sabe o que faz.
Ou o que deixa de fazer.

As consequências são muito claras, não é preciso pensar demais, sabe?

Não quis ir dormir, preferi crer no que dizem sobre viver efetivamente as 24 horas de um dia.

E eu vivi realmente todas as 24 horas.

Acordei sábado de manhã, deveria ser 9:20.
Estava cansada, mas não pude dormir mais, minha cabeça não deixou.
Fui fazer tudo o que pedia aquele dia.
Havia acabado de ler algo sobre mudar de opções, e se deixar marcar por elas.

Então olhei no relógio, passava 21h, mas estava bem acompanhada.
Apesar de meus olhos, pernas e costas pedirem uma cama, deicidi pelo carro, pelos amigos, pelo "perigo".

Anderson é repórter e fotógrafo de um jornal.
Estávamos todos juntos na sua casa, conversando, brincando e rindo.
E ele estava de plantão nessa noite, madrugada de domingo.
Ouvido no walk-talkie, sintonizado na polícia e no Siate.

Rinha de galo, acidente, batida de automóvel e caminhão.
Em tudo eu acompanhei Anderson para ver, enquanto ele fotografava e trabalhava.

No meio de tudo isso, homicídio com bala na cabeça, no peito...
Quatro mortos, quatro balas.
Na verdade, cinco mortos, uma moça estava grávida.
Sim, de oito meses.

Cada um em um lugar.
Cada pessoa em volta, cada choro, cada apavoro e olho arregalado.
Polícia, giroflex, maca, lençol preto, IML.
Gente. Muita gente.
Principalmente criança.

O choque não é exatamente a morte.
Sangue mal havia, a não ser daquele com o tiro na cabeça.

Mas para compensar minha "tranquilidade" exterior, fiquei chocada com as crianças.
Olhei, reparei e gravei a maneira como as pessoas agem.
E o lugar tão negligenciado estava cheio de crianças.
Ótimo para um lugar distante, esquecido por todos.
Casas-barracos, pedaços de madeira, chão batido, pulga, mato, capoeira.

Somos assim mesmo.
Morremos todos os dias.
Cada um de nós.

E sabemos exatamente o que estamos fazendo.

Eu me cansei. No último fiquei em dúvida se deveria te mesmo ido.
Me senti mal.
Voltei pra casa, fechei o olho e me concentrei.
24 horas.
Dormi pelo cansaço. Só por ele.

E outros dormiram porque estavam cansados da vida viciada, podada, desgostosa com bebida, crack e brigas.

Enviado por Sra. Amnesia * 3:28 PMComments:

[Quinta-feira, Novembro 30, 2006]

Antes que esse blog esqueça que há alguém que o grife...

Vestindo (ou tirando) a camisa

Cliquei em desligar. Guardei a agenda, o bloco e as canetas. Puxei a mochila para as costas. Enquanto descia as escadas prestando atenção na falta de claridade que sugeria um céu carregado, eu tilintava a grade do corrimão com meu guarda-chuva. Era o terceiro ou quarto dia, em menos de uma semana e meia, que o tempo de chuva me fazia gastar dinheiro com ônibus para ir trabalhar.

Atravessei o saguão me despedindo dos livros presos à prateleira da biblioteca da empresa e do barulho estridente dos telefones. Toda vez que cruzo o portão para minha saída libertadora é como se me esquecesse do lugar. Deveria ser assim sempre, cada problema em seu local gerador. O meu esforço por esquecer as tensões, as diversas funções, fez com que meu cérebro se acostumasse a esquecer mais do que deveria.

Andei três quadras e, me irritando com o calor, decidi tirar minha blusa. Só então me deparei com o crachá radiante no peito, pendurado num cordão azul. Pensei, por que será que uma pessoa portando um crachá na rua parece sempre um ser tão deslocado? Mesmo que tenha saído apenas para fazer um lanche, pagar conta na loja. Sou a favor que nada do trabalho deve ser levado para casa - nem o chefe, para o jantar, nem o crachá, num momento de esquecimento.

Desde então me tornei a pessoa mais anti-crachá-na-rua que conheço. O ambiente no escritório, na fábrica ou na redação pode até ser agradabilíssimo, assim como os colegas simpáticos e moderadamente sinceros, mas não há nada que me convença a usar uma caneca em casa com a logo da empresa, muito menos a colocar nos meus sobrinhos a camisetinha feita para algum evento.

Propaganda institucional só depois de bom trato, bom salário e evolução da organização, que, e isso é imprescindível, deve apresentar bons projetos e ações de responsabilidade social. Se não, nem me venha falar de churrasco e amigo-secreto de fim de ano!


Enviado por Sra. Amnesia * 4:35 PMComments:

[Quarta-feira, Novembro 15, 2006]

Às vezes alguma música toma minhas rédias.
É pensar e ouvir a melodia.
Eu não tenho escolha.

Já evolui: agora abro a boca e consigo fazer com que a música não saia cantada.
Mas a impressão é de que minha vida tem uma espécie de trilha sonora.

Não que a sonoridade aconteça sempre em consonância com meus sentimentos,
naquele momento, mas acho que ela acompanha meus pensamentos.

Quando acho que um amor está definhando minha mente coloca pra tocar Grande Hotel, do Kid Abelha.

Mas se meu coração brilha, aí rola Certas Coisas do Lulu Santos e Sempre te quis, Paralamas.

Se me sinto uma nota de 25 reais (a solidão até que me cai bem), ouço Maurício, da Legião Urbana.
Quando acho que sei algo, mas acabo aprendendo o que eu pensava que sabia, Das coisas que eu entendo, do Nenhum de Nós.

Meu coração tá apertado de saudade: é de sonho e de pó o destino de um só...
Romaria é o que minhas sensações exalam.

A música tem uma importância quase visceral pra mim.
Ela diz o que eu não digo, mostra o que quero mostrar mas não mostro.
É fácil me reconhecer por aquilo que estou cantando.
Se estou derrentendo por dentro e preciso continuar em pé, Foo Fighters acústico entra em cena pra me acalmar com Still.

Quando comecei a escrever isso, aqui dentro eu ouvia ''Lights will guide to home and ignite to bones. And I will try to fix you''.
Coldplay.

E acabo de me revelar. Talvez seja exatamente isso: try to fix you.

Enviado por Sra. Amnesia * 11:44 AMComments:

[Segunda-feira, Outubro 30, 2006]

Daqui de onde estou ouço o barulho do mar.
Sento próxima à janela, no segundo piso.
Gosto de saber que estou no alto e que lá fora,
ao menos as árvores podem balançar seus galhos.
Também eu gostaria de balançar meus galhos,
ou pelo menos caminhar solta sem ter
de criar raízes dentro da sala quadrada computadorizada.

Como disse, daqui ouço o barulho do mar.
Aí então viro a cabeça e meus olhos dão nas nuvens claras do céu.
Só falta uma brisa e pronto: a sensação exata de que a orla me aguarda.
O ruído vai...
E volta.
Não diminuem como fazem as ondas que acalmam, se levantam, terminam
na espuma da praia, e invariavelmente retornam com um pouco mais de força
estrondosa.

Às vezes é difícil pensar no que não se tem.
Eu, por exemplo, não tenho o mar que em tantas manhãs
me fez companhia enquanto esperava o transporte que me levaria para outra sala trancada,
mais ou menos como essa.
Nem o mar, nem as madrugadas de ressaca com calçadas arrancadas,
nem as gaivotas flutuando sobre os peixes que driblam as algas.
As conchinhas e os caramujos estão guardados comigo, esses são meus,
mesmo que não combinem com a terra tão diferente daquele manto de partículas
beges.

O que não tenho, posso carregar.
Então é meu.
Mas o mar não pode vir.
Nem a maré cheia ou os rochedos que seguram as ondas,
também não posso tê-los.
E não é fácil não ter algo de que se gosta.

O barulho que ouço daqui pode ser o anúncio constante
das águas salgadas em vai-e-vém para quem sonha fácil como eu.
Mas alguém preso à racionalidade e lógica
percebe logo que trata-se apenas de uma enceradeira
lustrando a ardósia negra dos salões espaçosos.
Não me decepciono.

Vive melhor aquele que aceita suas lembranças com doçura.

Agora que já não ouço mais o mar, pois desligaram o aparelho
que lustra o chão, vou começar a entender como é fácil reconhecer
as pequenas felicidades que permeiam estadias e relacionamentos.
Poder ouvir o sal das ondas a ecoar pelo tubo límpido
me faz tão bem quanto ouvir a voz de quem amo pelo ar aberto.

O mar vai me fazer tratar de cuidar muito bem das minhas iminentes lembranças.
Porque tudo, um dia, será lembrança.



"Veio de manhã molhar os pés na primeira onda
Abriu os braços devagar e se entregou ao vento
O sol veio avisar que de noite ele seria lua
pra poder iluminar Ana, o céu e o mar.

Ana aproveitava os carinhos do mundo,
Os quatro elementos de tudo.
Deitada diante do mar
que apaixonado entregava as conchas mais belas,
Tesouros de barcos e velas
Que o tempo não deixou voltar.

Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar.

Ana e o mar, mar e Ana
Histórias que nos contam na cama
Antes da gente dormir.
Ana e o mar, mar e Ana
Todo sopro que apaga uma chama
Reacende o que for pra ficar

Quando Ana entra n¿água
O sorriso do mar - drugada
Se estende pro resto do mundo
Abençoando ondas cada vez mais altas
Barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar
Desse novo amor, Ana e o mar"

...Ana e o Mar.:.O teatro mágico...

Enviado por Sra. Amnesia * 1:44 PMComments:

[Quarta-feira, Outubro 25, 2006]

A solidão do poder

Na verdade teria sido muito mais fácil olhar em volta e falar sobre o tempo. Será que chove hoje? Mas Valter, toda vez que se deparava com a timidez de não saber como começar uma conversa, logo dissipava a sensação de garoto envergonhado e inventava o quê dizer. Isso porque o cargo que ocupava na sua organização causava uma pressão tão grande em todos os seus atos titubeados que Valter logo agia. Ele era gerente. O cara que viaja, que fica dias fora, que se cansa dos banheiros de hotel. O funcionário que foi crescendo, galgando, subindo, e que ninguém imagina que ele já fora um simples funcionário como os funcionários novatos de agora.

Ao contrário do que pensavam, Valter não era um chefe. Havia uma sala na empresa que o abrigava, com seu notebook, frigobar e uma mesa para reunião. Valter era muito bem informado sobre os eventos, acontecimentos, a verba não liberada, a extensão de área realizada e os materiais necessários e negados. Seus filhos já estavam acostumados com sua ausência física e toda noite contavam as novidades da aula de arte ou dos primos que vieram brincar, pelo telefone. O gerente ia de cidade em cidade, conversava com os colaboradores. Aquela organização já era uma extensão de seus sonhos a realizar. Tinha anseios para si, mas torcia ainda mais para o grupo de pessoas que fazia caminhar a empresa e para a própria instituição, com seus objetivos principais de fazer crescer. Como eu disse, Valter não era um chefe.

Segundo suas atitudes verticais e justas de reconhecimento, o homem era um líder. E não é fácil ser um líder, talvez um chefe. O topo das decisões e participações trazia solidão, mas à primeira vista ninguém percebe isso. Pensam sim em quanto dinheiro, nos hotéis glamourosos, na antipatia e falta de comunicação causada pela importante posição. Para mentes que querem apenas o quê não têm é difícil enxergar esse tipo modesto de desconforto sentimental: solidão. A solidão do poder, diriam com rugas na testa de dúvida. Talvez pela correria ou pela responsabilidade imensa que era cuidar de uma empresa que abrigava tantos funcionários e tantas outras vidas indiretamente. Mas quem sabia disso? Só Valter, um cara interessante, simpático, inteligente, com uma família amiga. Mas o topo da montanha, onde fica a gerência, continua sendo gelado. É difícil ser um líder, ele pensa quando sente aquele frio.


Enviado por Sra. Amnesia * 3:16 PMComments:

[Quinta-feira, Outubro 12, 2006]

É fácil se perder de algumas pessoas.
Difícil é esquecer onde fica sua casa.
Porquê em todos os cantos estão as suas digitais.

O beral da porta pra se sentar no fim de tarde.
Gostava de olhar pro céu lá longe.

Cada cômodo guarda alguém.
No armário do banheiro as escovas que sempre caem quando
as portinhas são abertas.
O chuveiro com um jato bem forte esquentava logo.

É difícil esquecer de casa.
No quintal uma pequena mangueira, um muro alto.
Gostava de apoiar a escada de madeira
para subir até o telhado.
E ficava olhando de cima tudo -
a rua em frente, os carros cortando ao lado,
os cachorros latindo em baixo.

Janelas, portas, tramelas, chaves, cortinas, assoalhos,
campainhas, paredes, manchas, odores.

Se todas as casas fossem iguais
provavelmente todas as histórias estariam em défcit
com a realidade.

Já estive em várias casas.
Já dormi em muitos quartos,
diversas horas de noites e dias.

Ela não precisa ser fixa
porque ser for imóvel talvez perca a propriedade da vida,
das mudanças.

Sua casa pode ser sua casa ou seus amigos.
Podem ser seus pais ou qualquer lugar.
Elas também significar raízes.
Mas uma casa é um lugar que está sempre nos esperando


''Vejo o mundo passar como passa
uma escola de samba que atravessa.
Pergunto onde estão teus tamborins,
pergunto onde estão teus tamborins.
Sentado na porta de minha casa,
a mesma e única casa.
A casa onde eu sempre morei''

...Minha casa.:.Zeca Baleiro...


Enviado por Sra. Amnesia * 11:45 AMComments:

[Quinta-feira, Outubro 05, 2006]

A fugacidade de um segundo.
A fragilidade do movimento do ponteiro.
A espessura de uma folha seca,
caída no vento, levada pra descansar junto ao chão.

A vida não é mais que um suspiro.

Uma pessoa, em toda sua grandeza, não ultrapassa
o tamanaho das partículas de poeira vacilantes
que pairam no ar, vistas através da claridade do dia.
Existem várias maneiras de ir embora.
Mas a tristeza de quem permanece nesse mundo é sempre igual,
percebida por olhos alheios.

Uma morte não é simplesmente uma morte.
Ela é o ponto onde descemos do trem.
É uma chegada, um encontro.
Um adeus momentâneo.

O abandono dessa vida é a última página
de um livro em que se descobre o verdadeiro
sentido de toda a história deflagrada nele.

A morte pode ser traumática, pode ser uma esperança,
um desejo, pode ser o receio de toda uma vida.
A vida é vivida com medo de ser deixada.

Cada morte é uma lição aberta, clara, escrita
para qualquer um estudar e entender.
Ela explica, marca, conta, descobre.

A morte não tira, ela dá.
Dá a quem foi deixado uma espécie de
fome de vida, de valorização,
de uma dor que impulsiona.
Porque a sua dor tem na essência o viver,
o caminhar liberto, de asas soltas.

Eu ainda não descobri a morte nessa vida.
Nunca perdi alguém que realmente
tivesse sido marcado em mim.

Mas eu sei que isso trata-se apenas de um ainda.



Enviado por Sra. Amnesia * 7:25 PMComments:

[Segunda-feira, Outubro 02, 2006]

Falou alto mais uma vez.
Às vezes sua própria voz a sufoca,
porque nela sai o resíduo do mal-humor,
da insatisfação, do desânimo inflado pelo cotidiano tão cotidiano.

Via os gráficos pela tv,
ouvia as pessoas falando, reclamando, mal-dizendo ou rindo.
Queria ela poder ser surda ali.
Naquele momento infinito de uma raiva do seu próprio desgosto,
quis gritar, então desculpar-se, falar que não era nada daquilo.

Ela sabe ser gentil,
mas todos percebem quando algo a incomoda.
E quando se cobriu pra acabar o dia de uma vez,
quis um silêncio dentro de si.

Um silêncio que não se ouvia
pois ela não conseguia parar de discutir consigo mesma.

Demorou pra dormir.
Dormiu mal.

E cada vez que isso acontece, ela pensa:
cadê o meu botãozinho de liga-desliga?


"Todo mundo sabe de alguma coisa que eu não sei,
de um filme que eu não vi, de uma aula que eu faltei.
Por mais que eu tente eu nunca chego no horário.
Eu perco tudo o que eu ponho no armário.
Tudo atrapalha o que eu faço,
mas pros outros parece tão fácil.

A fila que eu escolho vai sempre andar mais devagar
e o troco acaba bem na hora em que eu vou pagar.
Se eu me distraio um único instante
pode apostar que eu perco o mais importante.
Tudo atrapalha o que eu faço
Mas pros outros parece tão fácil"

...Conspiração Internacional.:.Leoni...

Enviado por Sra. Amnesia * 2:45 PMComments:

[Segunda-feira, Setembro 25, 2006]


Pela letra a do meu nome.

Estou correndo.
Estou sempre correndo.
Mas independente dos lugares onde tenho de estar
e das pedras ou bolsas a carregar,
nos meus caminhos é você que desejo encontrar.
Lá no fim.
No fim do dia, no fim do filme, no fim das conversas.

Meus olhos rasos de amor com minha boca, sorriem.
Eles que sempre te procuram, que descansam,
que enlaçam os pensamentos dos meus abraços em ti.

Sou doce pois tua alma me adocica.
É a tua alma que me solta,
que desarma as amarras das minhas asas.

E eu não me lembro mais quais buracos quiseram me sugar.
Não sei mais das palavras negras que quis tatuar nas veias,
da dor que carregavam.
Eu já não penso no que nunca tive,
porque o que tenho agora me dá
a vida que guardei, aquela que estava esperando.

Mesmo que os caminhos de amanhã seja muitos,
qua haja flores ou árvores ou esquinas,
acidentes, pessoas, perdas.
Mesmo que haja outros dias com outras horas,
no momento meu único esforço é continuar melhor.

Melhor pra mim.
Melhor ainda pra você.


Enviado por Sra. Amnesia * 2:16 PMComments:

[Segunda-feira, Setembro 18, 2006]

Bárbaros e guerreiros desarmados

Pouquíssimas poltronas ainda estavam vagas. Gostaria de ter visto uma maior diversidade de pessoas, de tribos e estilos, mas logo me lembrei que não podia ansiar por um Fórum Social Mundial, pois aquilo ali era ''apenas'' um Seminário de Políticas Públicas para a Juventude. À primeira vista, muitos imaginariam tratar-se de política eleitoral (ou eleitoreira), mas não era exatamente isso.

A busca pela participação, pelo agrupamento, pelo conhecimento, pela politização, pelos direitos e deveres, pela consciência e luta. O tal evento propunha-se a mostrar aos presentes qual era seu objetivo perante a juventude. Um primeiro seminário realizado para nós e conosco, em Cascavel, piloto por ser pioneiro, não por ser um experimento. Assim como as justificativas apresentadas também não eram experimentos. Somos um país formado e formatado pelo pobre, pelo excluído e esquecido. Somos uma juventude que se abstém da luta, do poder de exigir, da fala.

A educação desfilada nas escolas e universidades serve para constituir o brasileiro de hoje. E estamos tão acostumados a sermos só isso, só esses cidadãos apolitizados dos últimos anos. Quantos anos? 50? E por favor, sem aquela desculpa manjada de que fomos e somos uma colônia controlada, que nos traumatizamos e cegamos com a ditadura. Sim, ainda vivemos uma ditadura de cidadãos alienados. Somos nosso próprio poder contido, amarrados e amordaçados. E a juventude brasileira que pede emprego, que quer fugir da rua, da miséria, que quer coisas pequenas ou grandes, é tão estática quando se trata de militância, ''alistamento'', voluntariado.

Existem diversas causas. A causa dos ecologistas, dos sem-terra, dos religiosos, daqueles pela paz, daqueles pela fome, dos que têm necessidades especiais, dos que pedem menores mensalidades, daqueles por assistência aos soropositivos, dos que carregam bandeiras ou camisetas, dos que apenas falam ou escrevem. Mas todas essas causas, e muitas outras, envolvem também a juventude. Nesse ano, o Estatuto da Criança e do Adolescente fez 16 anos. Está se estudando e votando a entrada em vigor de um Conselho da Juventude. Isso é um impulso, um tapinha na nuca, para que entendamos que nossos corações e anseios precisam ser escutados. Que nossa juventude - esses 40 e tantos milhões de jovens - não sejam mais tão mudos.


Enviado por Sra. Amnesia * 3:21 PMComments:

[Segunda-feira, Setembro 11, 2006]

Eles não virão.
E eu, que estive imaginando os movimentos,
as horas, idas e voltas,
agora tenho de ficar imóvel nas imagens
que não se materializarão.

Ninguém virá.
E eu, que havia calculado os dias,
contado minhas alegrias a todos e
esperado pelo que me preencheria tanto,
terei agora de passar a semana com o peso do chão.

O meu silêncio se acalmou com o silêncio das ruas.
Elas descansavam de gente.
Enquanto o ar pedia a chuva que o dia queria chover,
eu mais uma vez me acalmava no anseio
que só minha saudade acalenta.
Mas eles não vêm.
E eu estou triste de uma tristeza que amortece o corpo
d'um entorpecente que ele mesmo pede.

E eu, que só queria descansar,
tenho agora os olhos pesados e cansados de lágrimas.


"Agora não pergunto mais aonde vai a estrada.
Agora não espero mais aquela madrugada.
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser, faca amolada.
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada.

Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranquilo.
Deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo.
Brilhar, brilhar,acontecer,brilhar,faca amolada.
Irmão, irmã, irmã, irmão de fé, faca amolada.

Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia.
Beber o vinho e renascer na luz de todo dia.
A fé, a fé, paixão e fé,a fé, faca amolada.
Deixar a luz brilhar no pão de cada dia.

Deixar o seu amor crescer na luz de todo dia.
Vai ser, vaiser, vai ter de ser, vai ser muito tranquilo."

...Fé cega, faca amolada.:.Doces Bárbaros...


Enviado por Sra. Amnesia * 2:08 PMComments:

[Segunda-feira, Setembro 04, 2006]

Minhas mãos estão roxas do frio que faz hoje.
Hoje.
Vi os números que datavam no visor do celular

04 de setembro de 2006

Esse é um bom dia para coisas legais acontecerem.

Hoje é bom dia pra sentar lá fora e se esquentar no sol que faz.
De preferência do lado de alguém de que se gosta muito.
Do lado de algum daqueles 20 que estavam presentes em uma festa supresa
que abalou o coração.

Sou insatisfeita por natureza,
mas minha felicidade se faz com coisas muito simples.

Não importa o quê,
tendo uma pitada de coração e alma adocicada,
meus lábios se desmancham em sorriso facilmente.

A letra a do meu nome inicia um outro nome.
Um nome que retrai o meu na primeira letra do seu nome.

É um nome de anjo.
Que sai com facilidade da minha boca.

Todos os presentes são mais que presentes.
Eu superdimensiono as coisas que gosto,
as pessoas que amo.

O meu dia é um pote cheio de doces.
Doces que eu aumento com meu olhar.

Enviado por Sra. Amnesia * 5:03 PMComments:

[Sexta-feira, Agosto 25, 2006]



Lixo pseudo-informativo

A TV estava ligada em algum canal qualquer. Pela fala que se ouvia pude perceber a novela passando. Zapeando pelas emissoras, os programas mais baratos, desajustados e fúteis preenchiam o horário. Desisto da televisão. A minha gana por informação e entretenimento de qualidade não poderia ser suprida daquela maneira. Como sempre não consegui passar mais de 10 minutos atenta àquela caixa de plástico que as emissoras abertas não conseguem transformar em algo que possa ser mais que uma simples caixa de plástico com uma tela de vidro cheia de quadradinhos coloridos. Se eu tivesse que viver da dosagem televisiva a que o brasileiro está acostumado diariamente, nem sei o que seria de mim... Talvez uma mente oca, com uma imaginação constituída apenas de imagens televisivas e closes tão sem criatividade.

Posso ler alguns jornais, lembro logo. Como algo que pudesse me salvar de um furacão midiático insólito corro à porta para buscar o jornal enrolado. Desdobro o veículo embaralhado de fotos, textos, títulos, linhas finas, boxes. Mas a cada página virada, a minha cara torta de desaprovação fica mais feia. E aqueles vários anúncios de candidatos políticos me fazem lembrar o quanto eu detesto os periódicos cascavelenses. Matérias quentes tão frias, tão sem as características de seus autores. Como uma música pop vazia que não apresenta nenhuma peculiaridade sonora. Insisto e meus olhos aceitam percorrer os títulos à procura de um assunto nobre que mereça meus minutos em casa. Com surpresa chego logo às paginas finais sem que minha atenção tenha sido presa com satisfação.

E antes de jogar o jornal com desprezo no sofá, lembro-me de um princípio físico, antropológico e psicológico: causa e efeito. Porque nossa mídia é tão sem vergonha? Porque assistimos, ouvimos, lemos, consumimos absurdos ridículos, constatações banais e sem as investigações merecidas? Porque é que nos prendemos tanto e acreditamos naquele formato jornalístico da revista Veja e do Jornal Nacional? Porque não reclamamos indignados de programas como Super Pop, Zorra Total, Tarobá Circulando?

Todo esse lixo pseudo-informativo que nos ataca na rua, dentro do carro, enquanto compramos em alguma loja, quando estamos na faculdade ou no descanso de nossa casa. Toda essa coisa só existe por causa da demanda de telespectadores, ouvintes, leitores e internautas que optam pelo entretenimento mais corrosivo e vazio existente. Nada disso é novidade, mas é exatamente o tipo de pensamento que não tem mais tempo nas nossas conversas. E então continuaremos a repetir as expressões inauguradas pelas personagens das novelas, dançando as músicas comerciais propagadas nas rádios e vestindo a moda volátil dos programas diários. E nossas gerações seguirão sendo um simulacro de sociedade.


Enviado por Sra. Amnesia * 10:10 AMComments:

[Sábado, Agosto 19, 2006]

Onde foi mesmo que esqueci as palavras?
As rimas se perderam no correr dos meus pulos.

Aí então a frase tornou-se tão falada, tão repetida.

"E quero que você venha comigo"

Quantas vezes repetir, repensar, revoltar.

Quantas vezes já me pegou, já se pegou na vontade
de não falar repetidamente.

Quantas? Quantas perguntas feitas de novo e de novo.

"E quero que você venha comigo"

Todas as músicas acionadas no repeat.
Todo dia. Todo dia.

Todo o dia.

Eu não quero.
Eu quero.
Eu vou.
Não vou.
Não lembro.
Não vou falar.
Quero falar.
Eu quero.
Você vem?
Vai voltar?

Quero desistir?
Quero ficar.

Quero ir.
Sinto saudade.
Sinto repulsa.
Não entendo.
Não entendo.
Não entendo.

De novo??

"Todo dia ela faz tudo sempre igual"

Todo dia.
Todo dia.
Eu quero é todo dia que você venha comigo.

Caetano e Chico.
Só pra me lembrar.
Só pra que não me esquecer.

Enviado por Sra. Amnesia * 10:54 AMComments:

[Quinta-feira, Agosto 10, 2006]

"Imagine que está chovendo.
Cada gota...
A chuva só molha você.
Seu corpo.

Imagine...

Cada gota de uma nuvem toda.
Cada gota que cai apenas sobre você,
que toca sua pele, leve.
O barulho da gota.
Um tempestade toda.
Uma sensação que você nunca sentiu."

E da qual nunca esquecerá.
Como um espetáculo único de circo e magia.
Como uma melodia que ergue o corpo pelas veias.
Como um olho que atravessa o peito.
Como um instante que não quer passar.
Como a lua alaranjada e completa.
Como um amor que fala, que escreve, que pinta, que grava, que fotografa,
que toca, que roda, que venta, que carrega, que explode, que descansa.

A vida é sábia quando consegue fazer valer tudo o que já sentimos.

Enviado por Sra. Amnesia * 8:45 AMComments:

[Terça-feira, Agosto 01, 2006]

Admirável mundo e gado novo

De tanto mar, os barcos não sabiam para onde velejar. Com tanto peixe, não havia rede pra buscá-los. E então todas as árvores cresceram novamente. Casas, ruas e pessoas sumiram. De tanto mar. De tanta terra e floresta.

Os pássaros voaram ainda mais. A água voltou a cair e voltou a correr. Lavou o continente, levou a sujeira que ainda restara. Era um novo mundo, com outros minérios, com outras inteligências. E não éramos mais.

Outros bichos evoluíram - garras, bocas e sobrevivência. Até que nascemos de novo. Como num ciclo, o mundo estava pronto para ser destruído novamente. Veio a filosofia, veio a política, o direito. Depois surgiu a cidadania, a sociologia. Novas maneiras de morrer, outros jeitos de fazer nascer. Olgas já não eram mais as mesmas. Até os Guevaras lutavam por motivos menos insólitos para aquela era. O capitalismo e o socialismo se fundiram, pois até mesmo o lixo se configurou num novo formato de degradabilidade.

Os dias eram contados diferentemente. Como os seres haviam dado passos mais largos e suas mentalidades estavam aquém, não havia o catolicismo, o judaísmo, não havia o protestantismo nem cultos diabólicos. Por isso, ninguém pensou em criar um deus, o diabo, nem páscoa ou cruz. Vivíamos sem cálices, sem turbantes ou burcas ameaçantes. Quando nascemos novamente, aprendemos o que era a energia, o cosmos e o pensamento. Não nos sentíamos ameaçados, pois não ameaçávamos.

As profissões tornaram-se menos selvagens. As vidas não eram tratadas como séries, não éramos marcados com códigos de barra. Nas prateleiras haviam livros de todos os tamanhos e assuntos, menos os de auto-ajuda, pois ele não existiam... Nossas paredes eram pintadas com um novo colorido e até mesmo o branco deixou de ser cinza.

E apesar de todas as dificuldades serem menos difíceis, de todas as guerras que agora eram menos guerras, apesar de todos os filmes serem menos holywoodianos. Apesar de falarmos outras línguas universais com mais facilidade, apesar de os novos políticos carregarem valores sociais tão sólidos, apesar de a sapiência ser mais inspirada, o mundo ainda era mundo. Nossas casas ainda eram materiais assim como nós. Apesar de todo o pensamento, ainda éramos matéria. Vivemos aqueles vários mil anos com menos pesares. E com menos pesar o mundo foi novamente limpo de nós.


Enviado por Sra. Amnesia * 4:22 PMComments:

[Segunda-feira, Julho 24, 2006]

Tempo.

Tempo de mim.
Pra me reencontrar. Pra me preencher de mim.
Tempo não cronológico.
Sem dias contados, sem horas rodadas.

Tempo pro tempo que precisa vir,
que quer sentar e se acalmar.

A gente precisa de chuva.
Precisamos de um caminho maior
para o sol percorrer o céu.
Preciso de mais espelhos para me enxergar
por outros ângulos.
Pois estes prismas que são meus olhos
já se cansaram de mim.

Eu que sou tão eu
demoro, às vezes, a voltar para
os meus velhos pensamentos de certeza.

E mesmo que essas certeza sejam tão incertas
há ainda a comodidade de se pensar num algo que
já se conhece.

Hoje sem música,
pois não há tom que retrate o vazio de si.

Enviado por Sra. Amnesia * 8:43 AMComments:

[Sexta-feira, Julho 14, 2006]



"Deus está na chuva"

Cheguei em casa, sentei na cama
e até desliguei o discman.
Eu queria mesmo é que nada atrapalhasse
minha tentativa de fazer um retrospecto
do que havia sentido há pouco.

Assisti a um filme.
Daqueles que te fazem lembrar o país,
a situação, a inércia.

E dentro de toda uma história fascista
havia ainda muito sentimento.
Não só de ódio.
Mas do amor que segurava o ódio,
que dava coragem,
que tirava o medo.

E depois que se perde o medo,
não há nada mais a perder.


Enviado por Sra. Amnesia * 11:32 AMComments:

head>